Mostrando postagens com marcador Grupo 3. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Grupo 3. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Louise Bourgeois - Grupo 3


A arte é uma garantia da sanidade - 2000



A arte é a exposição dos sentimentos, dos medos, dos traumas para Louise. Através dela a artista vê a forma de se chegar ao inconsciente, ao retorno do desejo proibido, ou melhor, reprimido. Atreladas à vida pessoal e à psicanálise, suas obras são uma confissão, uma terapia, um exorcismo pessoal, ou seja, a garantia de sua sanidade. Do mesmo jeito que uns '' mergulham no trabalho", cantam, dançam ou conversam para aliviar a tensão causada pelos problemas, Louise procura sua cura e saúde na criação de sua arte.
Julia Meneses






Arco da histeria - 1993



A escultura é um corpo sem cabeça e nu, que remete a sexualidade. O corpo está contorcido, suspenso por um fio, representando nós suspensos no tempo. A fragilidade da obra representa a condição humana frágil, principalmente quando somos pequenos, enquanto o corpo em forma de arco é uma referência ao infinito, ao ciclo das gerações familiares, de estar condenado a sempre originar outro ser humano frágil, sendo mais uma referência a questão familiar da artista.
Nathalia Tourinho Duarte



A destruição do pai - 1974
Nesta obra, Louise Bourgeois nos mostra como sua difícil e problemática relação com o pai se materializa no seu processo criativo, revelando de forma singular a constante função catártica presente em seus trabalhos artísticos. Na sua infância, Louise descobre que seu pai mantinha relações com a empregada da família. Isso representou um trauma em sua vida, pois ela não se conformava que sua mãe, mesmo sabendo do fato, aceitava a traição de seu pai. Além disso, quando ela saiu da faculdade de matemática e decidiu se dedicar à prática artística, seu pai se recusou a continuar financiando seus estudos. Portanto, nesta obra, podemos perceber de forma clara esta relação conflituosa e angustiante que ela possuía com a figura paterna.
Ana Flávia Oliveira

Figura de faca - 2002

Louise Bourgeois é uma artista instigante. Utilizando a arte como terapia para a superação de seus traumas, ela nos convida a adentrar em seu subconsciente através de suas obras densas e carregadas de significado. Traumas de infância, sua relação conturbada com o pai, a imagem da mãe, estão todos refletidos em seus trabalhos. Em 'figura de faca', Louise choca ao apresentar um corpo desconstruído com uma faca pairando sobre ele. Uma imagem agressiva, que nos faz perguntar de quem seria o corpo estendido, com a vida por um fio. Do pai? Dela mesma? A obra parece ter sido criado para externar uma crise existencial. A faca, cortante e fatal, assombrando a vida. Provocador, o trabalho não passa despercebido em meio a tantos outros em 'O Retorno do Desejo Proibido'.
Naiara Azevedo

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Bandido da Luz Vermelha - Grupo 3 - “Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha”

Um dos filmes mais importantes do Cinema Marginal, 'O Bandido da Luz Vermelha' (1968) é inspirado na história do criminoso João Acácio Pereira da Costa, acusado de inúmeros crimes na cidade de São Paulo.
No filme, ele é Jorge, vivido por Paulo Villaça. Jorge assalta casas e, na maioria das vezes, abusa sexualmente das mulheres que ali se encontram, casadas ou solteiras. Ele é um verdadeiro anti-herói, e tem consciência dessa sua condição. Podemos constatar tal fato em uma cena em que ele se menospreza, falando que é um coitado. Seus dilemas internos são explicitados por um monólogo durante todo o filme. E isso nos permite acompanhar seu desespero, sua desestrutura moral e seu fim.

No desenrolar do enredo, vemos ainda Jorge em um relacionamento amoroso com Janete Jane, uma prostituta. Essa parte do filme mostra o lado mais íntimo do bandido, e interrompe as cenas de sangue constantes. Mas a história de amor não tem final feliz... Por vingança, Janete - interpretada pela esposa do diretor, Helena Ignez -, depois de ser mandada embora de sua vida, o entrega à polícia. Essa mesma polícia - tendo destaque o delegado Cabeção, que chega sempre atrasado à cena do crime -, é constantemente ridicularizada pelo bandido, que sempre consegue escapar.
Há uma cena característica, na qual o protagonista finge ser atingido por uma bala disparada contra ele e ri dos policiais. Logo depois, somos encaminhados para o fim; Jorge está pronto para encerrar a carreira. Ele se envolve em fios, pisa numa chave elétrica e morre.
Como a ironia exerce importante papel no Cinema Marginal, vemos o delegado também pisar na chave, morrendo ao lado do bandido.

Rogério Sganzerla, diretor dessa obra-prima do cinema brasileiro, com sua ironia e linguagem irreverente, mostra sem escrúpulos a realidade social e política do Brasil dos anos 60/70: o cangaceirismo político, a violência das grandes cidades e a mídia sensacionalista. Era o Cinema Marginal em ação. Com pouco recurso financeiro, muita censura e dificuldade no mercado de exibição - ainda assim - exerceu um importante papel para o cinema nacional.
Enquanto o ativismo político tomava lugar central nas discussões e obras dos cinemanovistas, os marginais se caracterizaram por este rompimento intelectual. Livres de seguir valores éticos da sociedade - lançando mão do escárnio, do profano e do erotismo que circundavam suas obras -, os cineastas do Cinema Marginal tentavam retratar a verdadeira realidade social e cultural do Brasil com humor e um deboche herdado das Chanchadas.
Também nota-se o uso de uma linguagem cinematográfica próxima às histórias em quadrinhos. Dois radialistas que comentam as peripécias da personagem principal, nos remetem às narrações policiais sensacionalistas da época.

"Um bandido pé de chinelo, deslumbrado com o sucesso nas manchetes, saído de Froyd ou da boca do lixo".

Sendo, não a personagem, mas o Cinema Marginal proveniente da Boca do Lixo paulista, muitos foram os que rejeitaram sua visão e obras. 'O Bandido da Luz Vermelha', longe de ser descartado e ignorado, driblou a censura dos "anos de chumbo", ganhou prêmios e se consagrou como uma importante obra cinematográfica, pondo o Cinema Marginal um pouco menos à margem - do cinema brasileiro, do público e da crítica.

Exposição "Panoramas" - Grupo 3 - Panoramas Brasileiros

A exposição “Panoramas: a paisagem brasileira no acervo do Instituto Moreira Salles” é uma verdadeira viagem ao passado brasileiro. Fotografias, gravuras e desenhos de artistas estrangeiros e brasileiros, produzidos entre 1820 e 1920, além de aparatos em geral do mundo da fotografia - pedras litográficas, câmaras escuras, máquinas fotográficas, lentes -, foram reunidos no IMS, com intuito de apontar os procedimentos e técnicas utilizadas nos registros da paisagem brasileira durante tal século.

Algumas dessas obras, de maneira singular, exerceram grande importância na construção de uma imagem do nosso país no exterior. Nossas paisagens, ao serem alvo de artistas de diferentes nações, eram exibidas em terras não-brasilienses sob diferentes formas de representações. Além da importância mundial, elas constituíram-se legado da história e memória do Brasil.
Na exposição, o Rio de Janeiro ganha bastante destaque por ter sido a capital brasileira da época em questão, mas outras importantes cidades do Brasil também marcaram presença, como Salvador, Recife, São Paulo, Ouro Preto, etc.

O que podemos destacar como uma das mostras mais interessantes é a rotunda, criada por Robert Barker. Trata-se de uma construção cilíndrica, que era construída nas principais cidades da Europa, e que expunham grandes pinturas em 360º, reproduzindo a paisagem de uma forma tal que fazia com que seus admiradores se sentissem no centro da projeção - algo que nos remete ao renascimento, que estava emergindo na época.

Através dessas representações, redescobrimos um Brasil lindo, que entrou em contato com a fotografia ainda cedo, em 1840. O Imperador D. Pedro, que se apaixonou por essa arte, fez questão de trazê-la para o nosso país pouco tempo depois de ter sido inventada em Paris.

Das rotundas de Barker até as modernas câmeras que tiram fotos com um largo campo de vista, a técnica do panorama está sempre em transformação e buscando a perfeição, com o objetivo de transportar o admirador da obra ao momento e ao lugar da imagem reproduzida, sob a perspectiva de 360º.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Exposição "Atos de Fala" - Grupo 3

“A palavra por si só pode ser uma ação. Falar não é somente descrever, narrar, é também agir - e agir, também é falar.”
'Atos de Fala' é um festival que aborda o tema com muita sensibilidade, reunindo artistas de áreas diferentes para se apresentarem, através de palestras-intervenções e vídeos-ensaios, mostrando facetas diferentes e poderosas do discurso.
Os vídeos-ensaios, apresentados neste dinâmico evento, agregam um novo sentido ao conceito de ensaio. Através da ação, do movimento, da mudança de cenário e das transposições de imagens, os discursos apresentados nos vídeos se tornam subjetivos, intimistas e com uma grande sensibilidade. E se relacionam com a necessidade de expressão de cada artista.
Esse novo conceito é proposto pelo linguista inglês John Austin. Ele afirma que um ato de fala é um discurso que importa não só pelo que diz, mas pelo que se move quando se diz. Ou seja, nos vídeos-ensaios observados, a importância está não só pelo o que artista nos passa através do discurso, mas também o que ele nos passa pelas suas ações, pelo o que ele expressa em cada movimento e cena e pelas imagens.
Em “Sortilégio”, como o próprio nome sugere, é um mundo de encantamento e feitiços. Garrafas de vidros espalhadas pelo cômodo remetem às experiências laboratoriais, enquanto os banhos com água e o beber do vinho às espirituais, como batismos e ceia. O espelho que está na parede e não reflete nada nos remete à lua. Ao se retirar do quarto enfeitiçado, declama um trecho do poema “A Lua” de Walter Benjamin.
Nesse material, Milena Travassos não fez rascunho do que poderia acontecer. Por ser um ensaio, tudo pode mudar a qualquer instante e por isso mesmo, deixa-se levar pela atmosfera do vídeo, fugindo da realidade.
Em “Até que você me esqueça”, vemos Denise Shutz fazendo um solo de dança em homenagem à mãe. Movimentos lentos, desfocamento de lente, presença de luz branca, são efeitos usados para falar com leveza sobre a saudade daquilo que está se perdendo. Ao final do solo e das palavras de Denise, tudo se acaba no branco, a junção de todas as cores, a cor da luz. Uma linda homenagem ao fim da memória de alguém que um dia era cheio delas.

Em “Deus no arroz doce”, sob direção de Pedro Vossi e Lucas Marcier, trata-se de um discurso, através de imagens que se sobrepõem umas as outras, no qual é mostrado as lembranças que o artista imagina, recria da sua infância a partir de uma foto. As imagens, fotografias de sua infância o fazem reviver e recordar aquela época de sua vida.
Este vídeo-ensaio também mostra, a procura dos avós do artista pela “Terra sem males”. No vídeo é dito que foi um profeta que criou a lenda “A Terra sem males”. Nessa procura, os avós passaram por vários países como, México, Costa Rica e Peru. Porém, foi no Brasil que, finalmente, encontraram a “Terra sem Males”.
Após vermos os vídeos-ensaios, concluímos que todo discurso, linguístico ou corporal, é uma performance. Ao falarmos, monta-se um palco invisível onde o artista somos nós e o interlocutor ou espectador, nosso público. Lembremo-nos que nossas palavras e escolhas cotidianas são atos de fala.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Exposição de Letícia Parente - Grupo 3

A exposição no Oi futuro sobre Letícia Parente é no mínino instigante. A sala composta por instalações nos mostra vídeos produzidos entre 1970 e 1980. Utilizando seu corpo como suporte, Letícia mostrou a todos que arte não deve ser algo elitista, mas simples, alcançável e que dialogue com a vida.

A casa é o corpo, o corpo é a casa.

Letícia reinventa o cotidiano, reconfigura as tarefas domésticas, reflete sobre o papel da mulher, a mistificação da arte, os anos da ditadura e a economia do país.
Considerada um das precursoras da video-arte no Brasil, Letícia representa o papel dessa arte com grande estilo. 

Quem é o artista? Onde fazer arte? Por que fazer arte?

Nenhum de seus trabalhos é apenas ornamental e principalmente no audiovisual todo possui um fundamento, um sentindo e até uma crítica.
Com clareza e leveza, conduz o espectador da sua video-arte a refletir sobre a obra, interagindo-se com ela.

Preparação I
Quando tapa olhos e boca com esparadrapo e desenha novos deles por cima da fita, a artista questiona sobre o papel da mulher. Como se a mulher assumisse o seu papel diante da sociedade, sem se expressar ou questionar. Não vê, mas pinta os olhos, não fala, mas passa batom. Logo depois ela arruma o cabelo, a roupa e sai do banheiro.

Marca registrada
A inscrição Made in Brazil sendo costurada na sola do pé nos mostram vários sentido: a reificação (pessoa em produto), nacionalização, governo opressor, a exportação da arte brasileira. Além disso, a inscrição será a base dela quando pé, acima da qual ela se manterá.

O homem do braço e o braço do homem
Aparece a imagem de um anúncio de uma academia de ginástica de um corpo de homem da cintura para cima, exercitando o braço. O movimento é repetitivo, cronômetrado e eficaz. Em seguida, vê-se um homem da cintura para cima também movimentando o braço da mesma forma. À medida que vai repetindo o gesto ele demonstra cansaço, o homem diferente da maquina sente dor. Percebe-se uma crítica ao culto do corpo, a propaganda que inserem na mente da sociedade um tipo definido de corpo, uma perfeição que todos querem alcançar. 

O comum, a rotina, o cotidiano estão sempre presentes no trabalho dela, seja na hora em que usa o armário para expor vários objetos separadamente (papel amassado, roupa branca, roupa preta, cebolas, sapatos..), seja na hora em ela mesma pendura e tranca-se nele, ou até mesmo quando ela “vira” roupa e a empregada passa o ferro no seu corpo com a calma de quem passa uma roupa de verdade.

Artista é aquele que não somente cria para deleite próprio, como refrigério para alma e mente efervescentes, mas que sabe usar a arte para comunicar, criticar, fazer e pensar.

Letícia Parente, portanto, é uma artista completa. Com sua criatividade, utiliza de diferentes meios e linguagens para relacionar arte e fatos do seu momento histórico - políticos, sociais, econômicos, envolvendo o telespectador com a sua obra.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Grupo 3

Ana Flávia Oliveira
Julia Meneses
Marina Lemos
Naiara Azevedo
Nathalia Tourinho